Abreu — Jr. Backend/AI no PagBank
Neste episódio do Fale com o Estagiário, conversamos com o Abreu (João Gabriel), de Porto Alegre, que começou fazendo plugins de Minecraft em Java aos 9 anos e hoje trabalha no PagBank desenvolvendo agentes de inteligência artificial para prevenção a lavagem de dinheiro e fraude, usando Kotlin, Spring AI e LangChain4J.
Uma conversa que vai de processador queimado com hack de Dragon City a ligações para empresas pelo telefone fixo via Google Maps — o caminho pouco convencional de quem conseguiu ir de estagiário a junior em 23 dias.
O que você vai ver neste episódio
- De plugins de Minecraft em Java aos 9 anos ao PagBank
- A estratégia de ligar para empresas pelo Google Maps para achar vaga
- Como foi promovido de estagiário a junior em 23 dias
- Trabalho com agentes de IA para prevenção a fraude no PagBank
- Diferenças entre empresa pequena e big tech: documentação vs. código
De Minecraft e Dragon City à programação
O Abreu começou a programar por volta dos 9 anos, em 2014, fazendo plugins de Minecraft em Java para servidores de Pixelmon e Hunger Games. Antes disso, já era "a criança que brincava com tudo no computador" — chegou a queimar o processador do único computador da família baixando hacks de Dragon City. O pai teve contato com Visual Basic no início da carreira, mas nunca seguiu em tech.
Ligar para empresas pelo telefone fixo
Em 2024, o mercado de estágios em Porto Alegre estava competitivo. O Abreu participava de processos via GUPY e LinkedIn, mas "batia na trave" nas etapas finais em grupo. A solução foi inusitada: pesquisou "software" no Google Maps e começou a ligar para empresas pelo telefone fixo, pedindo vagas de estágio em Java. Fazia isso no intervalo do trabalho de suporte técnico de telecom.
Numa das ligações, caiu na hora certa: o CEO e o coordenador tinham acabado de conversar sobre precisar de um dev Java. Quando o Abreu ligou no telefone fixo — que normalmente recebia apenas ligações de vendas — o cara pensou que era telemarketing. Virou piada interna: "vou pedir mais um dev Java, daqui a pouco alguém me liga no telefone fixo".
23 dias de estagiário a junior
Na primeira empresa de software, o Abreu maratonou conteúdo nos primeiros dias: Kipper no YouTube, curso de Java do Nélio. Em apenas 23 dias, o dono falou: "pro nosso porte, tu já é junior". A empresa era pequena e a régua técnica mais baixa, mas foi fundamental para ganhar experiência. Trabalhava com Java, Spring e pegava também JSF (JavaServer Faces) — tecnologia legada com testes unitários que na verdade eram de integração.
Agentes de IA para prevenção a fraude no PagBank
Hoje o Abreu trabalha no PagBank (contratado via Teq, consultoria de Minas Gerais) na área de prevenção a lavagem de dinheiro (PLD) e fraude. Desenvolve agentes de inteligência artificial usando Spring AI e LangChain4J (equivalente Java/Kotlin do LangChain em Python). O time é dividido em engenharia de software (onde ele atua), engenharia de ML, engenharia de dados e ciência de dados.
A conformidade com LGPD é rigorosa — não tem acesso a dados de produção sem VDI e card aberto. O gargalo não é o código: "tu vai perguntar muito mais antes do que tu codar". Documentos de engenharia, documentos de produto, fluxos e arquitetura norteadora são o que guia o trabalho.
Empresa pequena vs. big tech
O Abreu contrasta as duas realidades. Na empresa pequena, era "código, código, código — faz feature, mostra pro cliente, volta". No PagBank, tudo tem controle de risco: cards para alterações, especificações, decisões arquiteturais participativas. Menos mão no código, mas menos retrabalho. Na entrevista técnica do PagBank, pediram para reorganizar código aplicando princípios SOLID e fizeram perguntas sobre HTTP — o foco era distinguir "o junior que sabe o conceito geral" do "junior que só sabe a implementação".
Direto ao ponto
Como foi o processo seletivo do PagBank?
Três etapas: entrevista de RH, entrevista técnica da consultoria (Teq) e entrevista técnica com o time do PagBank, incluindo live coding com reorganização de código usando SOLID e perguntas sobre HTTP e conceitos base.
O Abreu já tinha experiência com IA antes de entrar no PagBank?
Não diretamente. Ele veio de Java/Spring e aprendeu Spring AI e LangChain4J trabalhando. Na empresa anterior, o foco era Java puro com Spring. A transição foi possível porque a base de engenharia de software era sólida.
Quais tecnologias o Abreu usa no dia a dia?
Kotlin e Java com Spring, Spring AI e LangChain4J para os agentes de IA. O PagBank usa Oracle e Cassandra como bancos de dados, com especialistas dedicados por tecnologia. Prefere IntelliJ a VS Code para backend.