Episódio 3

Gabriela — Estagiária na Embraer

Por · · Estagiária — Embraer
Assista: Gabriela — Estagiária na Embraer

Neste episódio do Fale com o Estagiário, a Gabriela Marcolino, 24 anos, conta como foi da customização de páginas no Tumblr aos 13 anos até se tornar estagiária de ciência de dados na Embraer. Recém-formada em Ciência da Computação, ela passou por um estágio num hospital universitário antes de vencer a GUPY e chegar à maior fabricante de aviões da América Latina.

Uma conversa que vai de bullying na infância a cases de dados no processo seletivo, passando por projetos de extensão para mulheres na computação e a polêmica de se Databricks é a pior tecnologia da área.

O que você vai ver neste episódio

  • Como começou a programar aos 13 anos customizando HTML no Tumblr
  • O primeiro estágio "na cara de pau": um e-mail direto ao gestor de um hospital universitário
  • Como venceu a GUPY para entrar na Embraer: timing, palavras-chave e fit cultural
  • A diferença entre processos seletivos de dev e de dados
  • Freelance de consultoria de LinkedIn e currículo

De Tumblr e bullying à Ciência da Computação

A Gabriela começou a programar aos 13 anos. Sofria bullying, não saía de casa e ficava no computador. Descobriu programação por acaso num vídeo no YouTube e começou customizando páginas no Tumblr com HTML. Depois fez curso técnico integrado de Informática na ETEC, onde confirmou que gostava da área. Entrou na faculdade de Ciência da Computação aos 17 — e confessa que "achava que sabia o que era tecnologia, mas conforme foi passando o tempo, viu que não sabia de nada".

O estágio no hospital que virou referência nacional

Para o estágio obrigatório, a Gabriela fez o que poucos fariam: mandou um e-mail direto ao gestor de um hospital universitário, se apresentou e disse que aceitaria estágio não-remunerado. Foi "na cara de pau" — e funcionou. Ficou sete meses como "faz-tudo": análise de dados, desenvolvimento web com JavaScript e Python, ferramentas de teste. Desenvolveu dois projetos que foram implementados no hospital, com resultados tão bons que a rede federal decidiu replicá-los em outros hospitais.

Como venceu a GUPY para entrar na Embraer

O processo seletivo da Embraer foi via GUPY — plataforma que ela e o Célio classificam como "a pior plataforma já inventada". A Gabriela aponta três fatores que fizeram a diferença: foi uma das primeiras a se candidatar (viu no Twitter que o processo tinha aberto 1-2 horas antes), adaptou o currículo com palavras-chave do edital (iniciação científica, Python, Power BI) e escreveu sobre o projeto de extensão de acolhimento para mulheres na computação que criou na faculdade.

Na última fase, um painel com gestores, um deles disse que já a acompanhava no Twitter pelo conteúdo de visão computacional. Colegas candidatos também a reconheceram. Sobre a GUPY, ela resume: "eu posso falar para todo mundo, gente, eu venci a GUPY".

Processos seletivos de dados vs. dev

A Gabriela compara os dois mundos: em dev, o formato é LeetCode na frente do gestor em 20 minutos (ela já teve que resolver um e não conseguiu — depois, o mesmo problema levou 3 horas em aula). Em dados, os cases dão um problema real (às vezes do Kaggle) para resolver em 1-2 dias, usando Google Colab, com foco em "storytelling com dados" — explicar por que escolheu determinada abordagem, por que Python ao invés de R, por que tal modelo de predição.

Cientista de dados: "estatístico gourmet"

A Gabriela define cientista de dados como "estatístico gourmet", não como programador que sabe matemática. Para ela, um matemático ou estatístico que não sabe programar tem mais chances na área do que um dev com faculdade de TI, porque tem "uma base muito mais sólida do que fazer com aqueles dados brutos". Hoje faz freelance de consultoria de LinkedIn e currículo, ajudando pessoas a passarem pela triagem de IA das plataformas usando a metodologia STAR.

Direto ao ponto

A Embraer contrata estagiários de tecnologia?

Sim — a Gabriela é estagiária de ciência de dados na sede de São José dos Campos. O processo seletivo é via GUPY e inclui cases de dados com storytelling, não LeetCode. Ela detalha como se preparou e o que fez diferença.

Como é trabalhar com dados em uma empresa aeroespacial?

O dia a dia inclui receber bases de dados (muitas vezes em Excel "toda bagunçada"), fazer tratamento e limpeza, e aplicar modelos de predição. A Gabriela destaca que a área é multidisciplinar e que a parte mais difícil é traduzir conceitos de TI para equipes não-técnicas.