Episódio 1

Igor Duca — Dev Web e Mobile nos EUA

Por · · Dev Web & Mobile — EUA
Assista: Igor Duca — Dev Web e Mobile nos EUA

Neste episódio do Fale com o Estagiário, o Igor Duca conta como saiu de uma cidade de 14 mil habitantes no interior da Bahia e, aos 16 anos, já trabalhava como desenvolvedor — sem nunca ter sido estagiário formalmente. Hoje trabalha remoto para uma empresa da Flórida, desenvolvendo o aplicativo mobile com React Native.

Uma conversa sobre um caminho pouco convencional: robótica com Lego, spam de conexões no LinkedIn, teste técnico pulado por causa do GitHub e freelas com propostas de "fazer um Uber por R$500".

O que você vai ver neste episódio

  • Da cidade de 14 mil habitantes na Bahia ao trabalho remoto para os EUA
  • Como robótica com Lego virou carreira em programação
  • A estratégia de LinkedIn que gerou a primeira vaga em duas semanas
  • Por que o GitHub fez ele pular o teste técnico
  • Realidade do freelancing: de Sanity CMS a propostas absurdas

De uma cidade pequena na Bahia ao primeiro emprego

O Igor cresceu numa cidade de 14 mil habitantes no interior da Bahia. Mudou-se para morar com o tio numa cidade maior, onde a escola tinha um programa de robótica com Lego que usava uma IDE visual estilo Scratch. Foi ali que aprendeu lógica de programação — e logo ficou entediado com os blocos. Pediu ao professor que ensinasse Python e começou a programar de verdade em 2016.

Em 2020, com a pandemia, decidiu estudar programação a sério. Ao invés do caminho mais comum, começou direto pela Rocketseat e participou da primeira NLW (Next Level Week). Ficou cerca de um ano estudando como hobby antes de tentar ganhar dinheiro com isso.

A estratégia do LinkedIn que funcionou em duas semanas

Na cidade pequena do Igor, "programador tinha tipo dois ou três — a seita dos devs". Um deles, amigo que trabalhava no PicPay, ensinou o que era LinkedIn. O Igor criou o perfil e passou a enviar conexões em massa: "chegou a notificação que o limite resetou, eu estourei o limite em 5 minutos, mandei 50 conexões". Aplicava só para vagas de React com candidatura simplificada — se pedisse formulário externo, pulava.

Em uma a duas semanas, conseguiu a primeira vaga como junior. O sênior da empresa olhou o GitHub dele — onde subia todos os projetos, incluindo um clone do jogo Monopoly feito em TypeScript — e considerou suficiente para pular o teste técnico. Na época não existia ChatGPT: "era só Stack Overflow na veia".

Trabalhar remoto da Bahia para a Flórida

Hoje o Igor trabalha remoto do interior da Bahia para uma empresa da Flórida, desenvolvendo o aplicativo mobile com React Native. Ele compara custos de vida: a namorada paga R$2.000 por apartamento com água e luz inclusos na Bahia, enquanto em São Paulo o mais barato "num lugar ruim" sai pelo mesmo preço. Sobre propostas presenciais, é direto: não aceitaria o dobro do salário para ir presencial no Brasil, mas aceitaria se fosse no exterior com a empresa pagando a mudança.

Freelancing: Sanity CMS e propostas absurdas

O Igor começou a fazer freela seis meses depois de iniciar a carreira. Usa Sanity CMS para que clientes não-técnicos consigam editar textos sem depender dele. Já entregou vários projetos, mas alerta sobre clientes com expectativas desreguladas: "já apareceu proposta de fazer um Uber por R$500". Mesmo assim, considera freela um excelente complemento de renda.

GitHub como diferencial real

O Igor reforça que o GitHub foi o que fez a diferença na primeira contratação. Subia todos os projetos desde o início, e isso foi mais convincente que qualquer teste técnico. Seu conselho: "trate o portfólio como se fosse o emprego já — fake it until you make it". E alerta: não adianta ficar construindo "Pokédex, calculadora e clone de Netflix" para sempre sem nunca aplicar para vagas — "senão vai ser estudante para sempre".

Direto ao ponto

Como conseguir vaga de dev nos Estados Unidos a partir do Brasil?

O Igor trabalha remoto da Bahia para uma empresa da Flórida. Começou aplicando para vagas no LinkedIn com candidatura simplificada e um GitHub cheio de projetos. Não morou nos EUA — a vaga sempre foi remota.

Dá para pular o teste técnico em processos seletivos?

Aconteceu com ele: o sênior da primeira empresa olhou o GitHub (que incluía um clone do Monopoly em TypeScript) e considerou suficiente para um junior. Portfólio público com projetos reais pode substituir testes em empresas menores.

Faculdade é necessária para trabalhar como dev?

O Igor faz Engenharia da Computação e só vê vantagens. Para web dev, diz que "React qualquer pessoa com 72 de QI já consegue trabalhar", mas para áreas que exigem base teórica (dev quant, ciência de dados), faculdade pública faz diferença.